Telegonia e a Ciência, uma mulher pode carregar DNA de antigos parceiros? O Que a Ciência Diz Sobre o Microquimerismo
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Tokio
Cuidado, meu senhor, com os ciúmes! É o monstro de olhos verdes que zomba da carne que devora.
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O micro-quimerismo persistente é a presença de células com DNA diferente convivendo no mesmo corpo. Elas se integram aos tecidos e podem funcionar normalmente junto às células originais.
A forma mais estudada de microquimerismo é a fetomaterno que ocorre durante a gravidez. A placenta permite a passagem de pequenas quantidades de células entre mãe e feto. Quando a criança é do sexo masculino, em casos documentados, foi encontrado material genético do cromossomo Y.
Ainda nesse sentido, em pesquisas recentes foi encontrado microquimerismo masculino em mulheres com apenas filhas, em mulheres nulíparas e em meninas pré-púberes.
Além disso, meninas cujas mães tiveram um ou mais abortos espontâneos antes da gravidez, meninas com um irmão mais velho e meninas com 13 anos ou mais, no momento da coleta de sangue, apresentaram maior probabilidade de apresentar resultado positivo para microquimerismo masculino.
Alternativamente, pode refletir o fato de que as meninas do presente estudo já podem ter iniciado a vida sexual e que a relação sexual seja uma fonte de microquimerismo masculino. (Em um relatório recente sobre o comportamento de jovens adolescentes na Dinamarca, 16% das meninas de 14 anos e 36% das meninas de 15 anos relataram ter tido relações sexuais)
Neste sentido, pesquisadores investigaram se relações sexuais poderiam representar uma fonte adicional de material genético masculino em mulheres, especialmente diante da detecção de microquimerismo em pessoas sem histórico conhecido de gravidez.
Contudo, existe uma distinção fundamental: Encontrar DNA masculino após contato sexual não equivale a demonstrar microquimerismo persistente. Para estabelecer microquimerismo seria necessário demonstrar que células ou material genético de origem masculina permaneceram no organismo por um período prolongado, e não apenas que houve presença transitória de espermatozoides ou DNA seminal.
No estudo: Male Microchimerism in the Human Female Brain publicado na revista científica PLOS ONE, foi investigado o cromossomo masculino em 59 mulheres (mortas), dessas, 37 apresentaram micro-quimerismo, em especial o caso B6388, uma participante falecida aos 69 anos, apresentou algumas das maiores concentrações de DNA masculino encontradas no estudo, tendo DNA masculino em regiões como o lobo temporal, o giro do cíngulo e a ponte cerebral. Os pesquisadores também confirmaram a presença de raras células masculinas no tecido cerebral. Porém a técnica utilizada somente conta DNA masculino e não o identifica.
É possível perceber que a quantidade de material genético em mulheres mais velhas é muito maior que em meninas de 10 a 15 anos onde a pesquisa diz que de 154 meninas somente 21 deram positivo para o micro-quimerismo. Porém o estudo não informa, se as que deram positivo para o micro-quimerismo ou se as que deram negativo, tiveram relação sexual.
Já o artigo de Yan e colaboradores de 2005, Microquimerismo masculino em mulheres que nunca tiveram filhos homens publicado no The American Journal of Medicine analisou 120 mulheres que nunca tiveram filhos homem.
Os pesquisadores dividiram as participantes em 4 grupos de acordo com o histórico de cada uma.
O resultado particularmente relevante é que em um dos grupos apareceram 10% de mulheres que nunca haviam engravidado apresentaram DNA masculino.
O artigo de 2005 de Lambert e colaboradores: Microquimerismo em mulheres saudáveis que nunca deram à luz a um menino publicado na Annals of the Rheumatic Diseases examinou 49 mulheres: 23 saudáveis e 26 com esclerose sistêmica, todas sem histórico de nascimento de filhos homens.
O DNA masculino foi identificado em 13% das mulheres saudáveis e 15% das mulheres com esclerose sistêmica. Os pesquisadores mencionaram explicitamente a relação sexual como uma possível fonte de DNA masculino.
Neste mesmo sentido o artigo de 2021 Microquimerismo masculino em mulheres de famílias com gêmeos que investigou 446 mulheres, buscava saber se mulheres com um irmão gêmeo masculino, irmãos mais velhos ou filhos homens aumentava a probabilidade de apresentar microquimerismo masculino persistente.
Os resultados não demonstraram aumento associado à presença de um irmão gêmeo masculino.
Isso mostra que as hipóteses familiares não explicam necessariamente todos os casos.
O microquimerismo revela um fenômeno biológico ainda pouco compreendido: a capacidade do organismo humano de abrigar material genético proveniente de outros indivíduos, inclusive por décadas. A identificação de DNA masculino em mulheres que nunca tiveram filhos homens, em mulheres sem histórico de gravidez e até em meninas pré-púberes demonstra que a gestação de um menino não é a única origem possível desse material.
Os estudos apresentam resultados significativos. Em 2012, pesquisadores identificaram DNA masculino no cérebro de 63% das mulheres examinadas. Em 2016, uma pesquisa com 154 meninas dinamarquesas, entre 10 e 15 anos, encontrou material genético masculino em 13,6% delas. Estudos anteriores também haviam detectado microquimerismo em mulheres que nunca engravidaram.
Embora a transferência de células durante a gestação, os abortamentos, os transplantes e as transfusões sanguíneas sejam explicações conhecidas, essas possibilidades não esclarecem necessariamente todos os casos observados.
Diante disso, percebe-se um movimento para dizer que o cromossomo Y em mulheres vem do irmão mais velho, de abortos espontâneos, de irmãos gêmeos desconhecidos mas, nunca do DNA seminal de um parceiro. Pelo óbvio seria mais difícil o DNA do irmão mais velho ser transferido para o corpo da mãe durante a gestação, permanecer no corpo dela até a gestação da irmã, do que o DNA ter sido transferido por meio seminal.
Referências
1. Müller et al. (2016) — Microchimerism of male origin in a cohort of Danish girls
https://doi.org/10.1080/19381956.2016.1218583
2. Yan et al. (2005) — Male microchimerism in women without sons: Quantitative assessment and correlation with pregnancy history
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16084184/
4. Estudo de 2021 — Microquimerismo masculino em mulheres de famílias com gêmeos
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34293108/
5. Chan et al. (2012) — Male Microchimerism in the Human Female Brain
https://doi.org/10.1371/journal.pone.0045592
6. Estudo de 2025 — Factors associated with the acquisition and retention of male-origin microchimerism in women
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0143400425001328
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