Meta deixou circular mais de 350 anúncios com abuso sexual infantil gerado por IA, aponta investigação
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Robersonfox
Programador desde a época dos computadores com tela de fósforo.
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Uma investigação do Tech Transparency Project (TTP), divulgada em 8 de setembro de 2026, encontrou mais de 350 anúncios pagos veiculados no Facebook, Instagram e plataformas associadas da Meta contendo material de abuso sexual infantil — real ou gerado por inteligência artificial — desde o fim de 2025. O levantamento mostra que fotos reais de crianças e adolescentes, retiradas de redes sociais, bancos de imagens e sites públicos, foram transformadas em conteúdo sexual por ferramentas de IA; um dos casos usava até uma fotografia divulgada oficialmente por uma família real europeia.
Do total de anúncios identificados, cerca de 300 direcionavam usuários para aplicativos de manipulação de imagem e vídeo, muitos deles com conexões a desenvolvedores chineses. A Meta afirma revisar imagens, vídeos, textos e links antes da veiculação, mas 332 dos 350 anúncios passaram pelos sistemas automatizados de moderação sem serem barrados; em 1º de setembro, mais de 150 ainda estavam disponíveis na Biblioteca de Anúncios da própria empresa, e 113 haviam sido classificados apenas como "conteúdo adulto", sem qualquer sinalização de exploração infantil. A Meta só removeu os 149 anúncios remanescentes depois de ser contatada pelo TTP.
Em termos de alcance, o relatório estima cerca de 29 mil contas afetadas na União Europeia, 7 mil no Reino Unido, 262 nos Estados Unidos, 120 na Austrália e 84 na Índia — um dos anúncios, por exemplo, passou de 4 contas para mais de 330 visualizações antes de ser retirado do ar. A Meta teria recebido menos de US$ 5 mil em pagamentos relacionados a essas peças publicitárias.
Como contraponto, a Meta argumenta que a maioria dos anúncios teve menos de 200 impressões e reitera que não tolera "nudificação" nem exploração infantil real ou sintética, atribuindo falhas à mudança constante de estratégia dos criminosos para escapar da detecção — uma justificativa que a reportagem não confronta com fontes independentes. Apple e Google também aparecem citadas: a Apple diz ter removido aplicativos e penalizado desenvolvedores, e o Google retirou apps e restringiu ferramentas de "nudificação". Parlamentares e reguladores dos EUA e da Austrália já analisam o caso, que se soma a um histórico de disputas da Meta sobre proteção infantil.
Não há indicação de uso de IA generativa na redação da matéria — trata-se de reportagem jornalística baseada em investigação de terceiros.
Fonte: Canaltech
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